Ativismo Espiritual – Decifre-o ou ele te devora!

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A dialética pressupondo um exercício constante da reflexão – ação – reflexão parece não respeitada quando o assunto em questão é o ativismo, ou seja, valorizar exageradamente a ação.

No âmbito espiritual isto se torna mais grave, sobretudo por ocasionar o detrimento de hábitos indispensáveis a uma vida cristã saudável.  Dar ênfase à ação, mesmo que no nível ministerial, pode se estender à  vida secular e quando menos nos dermos conta, só nos sentiremos úteis se realizarmos algo, o que via de regra vem associado a uma sensação de sobrecarga.

Há dois anos tive esta experiência e ao contrário de proativamente trabalhar para ajudar na propagação do evangelho, acabei por sucumbir a exercer um ministério com muita ação e pouco tempo para me dedicar ao que realmente era imprescindível: zelar pela minha intimidade com Deus! O excesso de compromissos e obrigações confiados, sobretudo a quem exerce liderança, pode ocasionar conseqüências a meu ver desastrosas ao ponto de se aniquilar o primeiro amor; viver em função de agradar os outros e a pior de todas – a perda da individualidade no que concerne a se privar de decisões e vontades próprias.

A pior seqüela e similar a um câncer espiritual todavia, é quando deixamos de glorificar a Deus e passamos a murmurar. Neste nível já não há mais como efetuar o que sempre se fez por prazer mas, por uma obrigação sutilmente imposta que corro e sobretudo os valores que antes possuíamos e agora se tornam passíveis de contestação. É claro que sempre vai existir pessoas que farão de tudo isso uma oportunidade para “crescerem e aparecerem”, ou seja, um mecanismo de autopromoção que nada mais é que uma forma de fuga de sua pseudo incompetência em saber gerir o sucesso próprio.

Quando nos damos conta do quanto o ativismo pode ser letal, a religiosidade já se alastrou e seguir a Jesus, pregar o evangelho, ganhar vidas tornam-se ações corriqueiras, repetitivas e sem significado. A banalização das ações também compromete o que falamos, a forma de ser e reagir em relação aos outros. Um outro aspecto que senti na pele foi o perfeccionismo exarcebado o que me prejudicou ainda mais por concentrar uma série de atividades que poderiam ser executadas por outros mas, que julgava serem restritas a mim. Jamais devemos nos esquecer que o pressuposto de tudo é a fé e não as obras.

Acreditar que se está agradando a Deus pelo excesso de cargos que se detém ou pelo frenético envolvimento em tudo o que se propõe é ledo engano. O risco iminente é deixar de se dedicar a Deus e pensar que O está agradando por exercer múltiplas obras em Seu Nome. Quando deixamos de buscar a Deus de forma genuína tornamo-nos dependentes da aprovação dos homens e isto inclui como recompensas indispensáveis para “melhor produtividade”, a necessidade de reconhecimento, elogios e/ outras formas de gratificação pessoal que inflem o ego de maneira satisfatória. “De graça recebei, de graça dai”, se for para servir a Deus esperando algo em troca verdadeiramente não estaremos servindo a Ele mas, irremediavelmente reduzidos a agradar o homem.

Creio não ser da vontade de Deus gerar líderes doentes, depressivos e esgotados espiritualmente em função de se comprometerem de forma desumana com o que fazem e em contrapartida, esquecerem do seu próprio bem-estar. Quando acreditei estar no fundo do poço, em depressão, após entregar cargos de liderança e obrigações que me sufocavam, Jesus se revelou a mim, concedendo-me oportunidade para recomeçar e a base de tudo foi VOLTAR AO PRIMEIRO AMOR, voltar às práticas de outrora em buscar comunhão e intimidade genuína com Deus e sobretudo, confiar irrestritamente nEle e no Seu poder restaurador.

Não deixei de ser instrumento de Deus por abrir mão de um ministério, pelo contrário, deixei sim, o que julgava me aprisionar para experienciar hoje o melhor de Deus, que é uma vida cristã equilibrada

Por Carlene Oliveira

 

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