É errado falar palavrão?

Antes de adentrarmos na questão de ser certo ou não falar palavrão, mister é notarmos que “palavrão” é uma fenômeno de ordem costumeira. Por ser costumeira, entende-se que varia conforme o local onde é encontrado e diz respeito aos costumes e práticas da sociedade onde está inserido.

Por exemplo, a palavra “chato” que outrora remetia ao piolho do púbis, passou a significar popularmente alguém “importuno, maçante” (Dic. Aurélio). A expressão “casa do caralho”, que nada mais era do que a pequena cesta no alto dos mastros das caravelas, veio a ser um sinônimo pejorativo e ofensivo. Também na língua portuguesa (de Portugal) lemos “puto”, que para eles significa “criança”, já para nós brasileiros, tem significado totalmente diferente. Observamos portanto que não há como generalizarmos o “palavrão”, visto que este é um constante variável.

O apóstolo Paulo em Efésio 4.29 escreveu: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.”. Citando Regina Lopes,”a palavra torpe é a tradução do termo grego ‘sapros’ que significa podre, decadente, usada para indicar peixe, carne ou vida vegetal estragados, ou seja, figuradamente, mau, corrupto, imoral, dando a idéia de torpeza.”

Temos neste versículo, portanto, não apenas uma simples ordem de não falar uma palavra “feia” aos olhos de determinada comunidade, mas muito mais que isso! Paulo nos alerta para que não projetemos em forma de palavra coisa alguma que não “transmita graça aos que ouvem”. Certamente Paulo não se comunicava apenas falando em “salmos, hinos e cânticos espirituais” (Colossenses 3.16). Por ser humano, usava palavras do dialeto da comunidade onde estava inserido.

Porém, devemos salientar que Paulo não se corrompia com a linguagem desenfreada que certamente muitos utilizavam. Ao exortar os efésios para que transmitissem apenas aquilo que fosse “para edificação, conforme a necessidade”, certamente não implicava que Paulo estava estimulando-os a tornarem-se iguais ao povo que os rodeava. Se este fosse o caso, certamente ele não teria dito aos romanos que “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente” (Romanos 11.36), tampouco teria deixado de alertá-los dizendo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (12.2).

Portanto, vemos que para Paulo, a essência da vida cristã não está na simples observância de certas palavras, mas sim que tudo que o cristão faz, deve refletir e magnificar a obra de Deus (1Co 10.31); deve expressar ao mundo a grandeza de Seu nome! Nada é mais importante do que espalharmos uma paixão por Cristo em tudo que acontece em nossas vidas, e isso certamente se traduz em gestos e em palavras benditas. Que Deus nos fortaleça dando-nos intrepidez, para que assim como o salmista, possamos proclamar em uníssono:

“Repudiarei todo mal. Odeio a conduta dos infiéis; jamais me dominará!” Salmos 101.3

Que Deus nos abençoe!

Texto por
Filipe Luiz C. Machado

 

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