É antibíblico o bordão: “Deus ama o pecador, mas odeia o pecado”?

4
115

Um dos assuntos do momento nas redes sociais e blogs evangélicos dos Estados Unidos gira em torno da possibilidade de Deus odiar os pecadores. De um lado, alguns citam o clichê: “Deus ama o pecador, mas odeia o pecado”. De outro, há os que defendem a ideia de que o Senhor odeia, sim, pessoas pecadoras, e não apenas os seus pecados.

Faço algumas perguntas aos queridos leitores: O ódio pode ser considerado um dos atributos do amoroso Salvador? O fato de Deus ser justo e santo implica que condenará pessoas ao Inferno por ódio, como um justiceiro que quer ver o pecador impenitente sofrer por toda a eternidade? Sinceramente, vejo — tanto no Antigo como no Novo Testamentos — que o Senhor castiga e condena pessoas, mas não faz isso por ódio.

Alguém argumentará: “Deus se vinga dos pecadores. Ele mesmo afirmou: ‘Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o SENHOR’ (Rm 12.20)”. Mas isso não significa que essa recompensa ao pecador seja uma vingança cheia de ódio. Afinal, o Senhor afirma, em sua Palavra: “não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva” (Ez 33.11).

Não nego a verdade bíblica de que o Justo Juiz, além de aborrecer as obras dos ímpios (Sl 1; 11; Pv 6), os condenará ao Inferno (Ap 20.11-15). Mas Ele os condenará porque é justo e santo, e não por ódio ou sentimento de vingança. Deus é amor, e não ódio. Ele ama de modo incondicional. Seu amor é imensurável. Ele é justo, e não um justiceiro.

Deus não condenará o pecador contumaz ao Inferno por ódio. Mesmo conhecendo de antemão os nomes de todos os condenados, Ele não os odeia, mas os ama. Muita gente acredita que Judas era um vaso da ira, uma “figurinha carimbada”, “escolhido de antemão” para trair o Salvador. Mesmo que eu acreditasse nisso, não há como provar que o Senhor Jesus odiava o Iscariotes, ao qual dirigiu as seguintes palavras de misericórdia: “Amigo, a que vieste?” (Mt 26.50).

Observe o tratamento que o Senhor Jesus — o Deus encarnado — dispensou aos seus inimigos. Segundo a Palavra do Senhor, “quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente” (1 Pe 2.23).

Sem perder de vista, também, o que está escrito em Romanos 5.8: “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”, olhemos para a vida do Deus-Homem, o nosso paradigma (1 Co 11.1; 1 Jo 2.6). A qual pecador o Senhor Jesus odiou, ao andar na terra? Pergunto isso, pois, se Deus odeia o pecador, o seu Filho, como a expressa imagem de sua Pessoa (Hb 1.3), devia ter odiado os pecadores impenitentes.

Quando Jesus entrou no Templo e expulsou os que o profanavam, fez isso com ódio em seu coração? Ele bateu em alguém? Não! Apenas mostrou que aborrecia as obras daqueles pecadores. Fez o que fez por amor, e não por ódio. Na cruz, pediu ao Pai: “perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Em que momento Ele demonstrou ter ódio dos seus algozes?

Lembra-se da lamentação do Senhor Jesus contida em Lucas 13.34? “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?” Estava o Salvador com o coração repleto de ódio, naquela ocasião? Não! Seu coração estava cheio de misericórdia por um povo que não merecia seu amor!

“Ah, mas Jesus demonstrou que odiava os fariseus! Ele os chamou de hipócritas, condutores cegos, etc., em Mateus 23. Isso não é uma demonstração de que Ele os odiava?” — alguém poderá perguntar. Não, não é. Se verberar contra pessoas usando adjetivos pesados denota ódio, então o Senhor odiava o pastor de Laodicéia, haja vista tê-lo chamado de desgraçado, miserável, pobre, cego e nu (Ap 3.17,18). Aliás, Ele disse àquele obreiro, depois de tal verberação: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo” (v.19).

Evoco, finalmente, Mateus 9.36: “E, vendo a multidão, teve grande compaixão deles, porque andavam desgarrados e errantes como ovelhas que não têm pastor”. Se a tese do ódio de Deus aos pecadores fosse verdadeira, o Senhor teria sentido compaixão apenas dos pecadores pretensamente eleitos para a vida eterna. Mas Ele teve compaixão da multidão pecadora, desgarrada e errante.

Na verdade, Deus é amor e ama até os pecadores condenados, que, um dia, Ele mesmo terá de lançar no Inferno por causa de suas santidade e justiça.

Ciro Sanches Zibordi

4 COMENTÁRIOS

  1. É antibíblico o bordão: “Deus ama o pecador, mas odeia o pecado”?

    Resposta: Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem contigo habitará o mal.
    Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade.
    Destruirás aqueles que falam a mentira; o Senhor aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento.

    Salmos 5:4-6

    O Senhor prova o justo; porém ao ímpio e ao que ama a violência odeia a sua alma. Salmos 11:5

    Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina:
    Provérbios 6:16

    Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente,
    O coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, A testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.

    Provérbios 6:17-19

    Bom, diante disso, teremos então que arrancar estas páginas da Bíblia?

    • Sinceridade não te entendi, a prova que Deus ama o pecador é o fato dele ter enviado seu único filho a este mundo, que Ele odeia o pecado, é nítido, Hebreus cap 1 diz que Jesus amou a justiça e “odiaste“ a iniquidade. Iniquidade é o que? ão é pecado não?

  2. Concordo amplamente pastor. Deus odeia tanto os pecadores que os protegeu no deserto, que se fez carne e morreu por eles… Ah, quer saber? To ficando com preguiça dessas pessoas que tem tornado o evangelho de Jesus algo contraditório, confundindo em vez de esclarecer. Deus eh amor!!!

    • O Amor e a Ira de Deus
      manifestação de Sua Misericórdia e Justiça
      Salmos 136:15-20
      “Mas precipitou no Mar Vermelho a Faraó e ao seu exército; porque a sua misericórdia dura para sempre. Aquele que conduziu o seu povo pelo deserto; porque a sua misericórdia dura para sempre; Aquele que feriu grandes reis; porque a sua misericórdia dura para sempre; E tirou a vida a famosos reis; porque a sua misericórdia dura para sempre; Seom, rei dos amorreus; porque a sua misericórdia dura para sempre; E a Ogue, rei de Basã; porque a sua misericórdia dura para sempre;”
      Os pensamentos e as maneiras de Deus são superiores ao entendimento do homem (Jó 33:12; Isa 55:8,9; I Cor 1:25; I João 3:20). Entrando no assunto do amor e da ira de Deus encontramo-nos diante de imensos conceitos divinos que são insondáveis chegando a ser inescrutáveis (não pode ser medido) (Rom 11:33-36; Sal 77:19). O amor de Deus em Cristo “excede todo o entendimento” (Efés 3:19) e sobre a ira de Deus a Bíblia diz, “quem parará diante do seu furor, e quem persistirá diante do ardor da sua ira?” (Naum 1:6). A Bíblia declara que Deus é amor (I João 4:8,16) e com a mesma ênfase declara que Deus é fogo consumidor (Deut 4:24; Heb 12:29). Por não sermos como Deus (Sal 50:21; I Sam 16:7; Num 23:19) quando procuramos entender Seus atributos, por necessidade, isso requer fé e temor.
      A Bíblia declara que Deus é Espírito (João 4:24), luz (I João 1:5) e amor (I João 4:8,16). Por Deus ser o que é, todos os atributos da divindade são influenciados e equilibrados. Nenhum atributo pode ser separado dos demais. Portanto, é necessário estudarmos cada atributo a luz dos outros. Para entendermos o equilíbrio entre o amor e a ira de Deus, temos que estudar cada um. A forma como os atributos se mescla será vista uma vez que entendamos cada um separadamente.
      O Amor de Deus
      1. Não é influenciado (Deut 7:7,8; II Tim 1:9). Dizer que o amor de Deus não é influenciado significa que nada nos amados atraiu o amor expressado por Deus. O amor de Deus é livre, espontâneo e sem algo nos sujeitos que O faça amá-los (I João 4:10,19).
      2. É eterno (Jer 31:3; Efés 1:4,5). E por Deus ser um Ser eterno, Seu amor também é eterno. Isso conforta os amados, pois não tendo começo, não terá fim (Sal 90:2).
      3. É soberano (Rom 9:15; Deut 32:39). Por Deus ser um Ser soberano Seu amor também o é. Na verdade Deus não tem obrigação para com ninguém (Rom 9:20,21; Dan 4:35). Se Deus, em todo o demais, opera segundo o beneplácito da Sua vontade (Efés 1:11), Ele opera com o Seu amor de igual forma (Rom 9:13; Efés 1:4,5).
      4. É infinito (Efés 3:19). Deus é infinito na Sua natureza e só pode refletir tal atributo em Suas outras qualidades. As Escrituras Sagradas, dadas pela inspiração, têm dificuldade, pela limitação da linguagem por escrito, ao expressar todo o amor de Deus. Palavras como “tal” (João 3:16) e “muito” (Efés 2:4) são usadas na comunicação até o ponto em que a linguagem escrita pode expressar o amor infinito de Deus. É necessário fé para que se possa conhecer Deus pois as Suas qualidades são superiores ao entendimento finito do homem (Sal 147:5). Para ter um exemplo do amor infinito de Deus considera-se a quem tal amor é estendido (Rom 5:8).
      5. É imutável (Cantares de Salomão 8:6,7). Por Deus ser imutável (Tiago 1:17), os Seus atributos também o são. O exemplo da imutabilidade do Seu amor é visto por nada poder separá-LO dos Seus amados (Rom 8:35-39).
      6. É Santo (Rom 5:21). Deus é santo na Sua pessoa (Lev 11:44; I Sam 2:2), em todas as Suas obras (Sal 145:17) e por necessidade isso inclui o Seu amor. O amor de Deus não é subordinado à paixão ou qualquer outro sentimento, mas pela santidade. A Bíblia diz primeiramente que Deus é Luz (I João 1:5) e após diz que Deus também é amor (I João 4:8,16). A santidade é quem faz o amor de Deus temível. Por Sua santidade o crente é corrigido (Heb 12:5) e o ímpio é castigado (Êx. 34:7; Apoc 20:12-15).
      7. É gracioso (João 3:16; I João 4:9). O amor pede uma expressão, e, a sua expressão é favor ou graça. Essa expressão da graça vê-se quando entendemos o alvo do amor e o resultado de tal amor (Rom 8:35-39). A maior expressão do amor de Deus é Cristo (I João 4:9). Por ter dado Cristo sabemos que Ele não deixará faltar algo para os Seus (Rom 8:32).
      A importância desse amor não é vista apenas na salvação do pecador. Os santos se reconhecem pelo amor (I João 4:7,8,12,16,20,21). A obediência é estimulada pelo amor (João 14:15; 15:9-14). No dia do juízo teremos confiança devido ao amor (I João 4:17,18), pelo qual somos aperfeiçoados (I João 4:18).
      A Ira de Deus
      O amor de Deus e a Sua ira freqüentemente andam juntos (Num 14:18; Rom 11:22; Heb 12:5) e verdadeiramente a ira de Deus é uma expressão do Seu amor (Sal 136:14-21). Se Deus não tivesse ira os Seus atributos seriam falhos. Se não houvesse a ira de Deus, Ele seria indiferente ao pecado, mostraria uma ausência de morais e aceitaria tolices e corrupção. Por Deus ser puro, necessariamente, Ele precisa odiar o que é impuro (A. W. Pink).
      Não é apenas Deus quem se ira em conseqüência do Seu amor, mas o homem também faz dessa maneira (Prov 13:24).
      Uma definição da ira de Deus é a Sua santidade contra o pecado (Num 14:18). A própria ira de Deus testifica a Sua santidade (Sal 89:35 – por Ele jurar na Sua santidade, os inimigos de Davi foram castigados; Sal 95:11 – por Deus ser santo, os desobedientes à Sua Palavra foram mortos no deserto). O amor de Cristo é descrito sendo além de todo o entendimento (Efés 3:19), mas a Sua ira é derramada na tribulação (Apoc 6:16).
      Benefícios da Ira de Deus
      1. Revela a imundícia do pecado. Devido a hediondez do próprio pecado o eterno Deus crucificou o Seu unigênito e amado Jesus Cristo (Rom 5:8).
      2. Provoca o crescimento no temor a Deus (Luc 12:5; Heb 12:28,29).
      3. Incita louvor a justiça de Deus (I Tess 1:10; Apoc 19:11).
      4. Estimula a evangelização aos que estão sem Cristo (II Cor 5:11).
      5. Confirma a fé dos justos (Sal 58:10,11).
      6. Traz glória a Deus por intermédio de Jesus Cristo (Fil. 2:0,11).
      Deus opera todas as coisas com a finalidade de receber toda a glória (Rom 11:36). A redenção traz glória a Deus através de Jesus Cristo. Só precisaria redenção se houvesse um preço a ser pago pelo pecado. Em Jesus Cristo a justiça e a paz se beijaram (Sal 85:10) com Deus derramando toda a Sua justa ira sobre Quem amava mais SEU FILHO JESUS CRISTO SENHOR E REDENTOR NOSSO.

DEIXAR UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here