O QUE CANTAMOS HOJE NAS IGREJAS?

“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” João 4.24

Como poderíamos definir o conceito de adoração, segundo as Escrituras? “Indubitavelmente, o primeiro fundamento da justiça é a adoração a Deus” – João Calvino. Antes de começar a ler esse texto gostaria que você refletisse sobre suas últimas canções ao Senhor. Não continue

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Amazing Grace – Sublime Graça

O hino “Amazing Grace” (Sublime Graça) está na sua origem ligado à luta pela abolição da escravatura. John Newton (1725-1807), autor da letra, gastara parte da sua vida no comércio de escravos, tendo ele próprio sido preso em África e tratado como escravo. Newton viria a ser um entusiasta discípulo do evangelista George Whitefield e conheceria John Wesley, fundador da Igreja Metodista. Tornou-se pastor da Olney Parish Church e depois da St. Mary, Woolnot, em Londres. Em Olney tornou-se amigo do poeta William Cowper. Juntos trabalharam nos cultos semanais, em reuniões de oração e na produção de um novo hino para cada culto da comunidade. Escreveu Amazing Grace, em dezembro de 1772, apresentando-o à sua congregação no culto do dia 1 de janeiro de 1773.

John Newton transportou muitas cargas de escravos africanos trazidos à América no século XVIII. Por volta de 1750, Newton era o comandante de um navio negreiro inglês. Os navios faziam o primeiro pé de sua viagem da Inglaterra quase vazios até que escorassem na costa africana. Lá os chefes tribais entregavam aos Europeus as “cargas” compostas de homens e mulheres, capturados nas invasões e nas guerras entre tribos. Os compradores selecionavam os espécimes mais finos, e comprava-os em troca de armas, munições, licor, e tecidos. Os cativos seriam trazidos então a bordo e preparados para o “transporte”. Eram acorrentados nas plataformas para impedir suicídios. Colocados lado a lado para conservar o espaço, em fileira após a fileira, uma após outra, até que a embarcação estivesse “carregada”, normalmente até 600 “unidades” de carga humana. Os escravos eram “carregados” nos navios para a viagem através do Atlântico. Os capitães procuraram fazer uma viagem rápida esperando preservar ao máximo a sua carga, contudo a taxa de mortalidade era alta, normalmente 20% ou mais. Quando um surto de disenteria ou qualquer outra doença ocorria, os doentes eram atirados ao mar. Uma vez chegados ao Novo Mundo, os negros eram negociados por açúcar e melaço que os navios carregavam para Inglaterra no pé final de seu “comércio triangular.

Numa das suas viagens de regresso à Inglaterra, o navio enfrentou uma enorme tempestade. Quando o barco quase naufragava, Newton voltou-se para Deus: Senhor, tem misericórdia de nós. De volta à sua cabina refletiu e entendeu que Deus se lhe tinha dirigido através da tempestade e que a Sua graça tinha começado a manifestar-se. Foi o que ele descreveu como grande libertação, o dia da sua conversão. A leitura do clássico Imitação de Cristo, de Thomás de Kempis, e do Novo Testamento, nesta altura, foram instrumentos para esta reviravolta na sua vida. Após ter sobrevivido, ele converteu-se verdadeiramente ao Senhor Jesus e começou a estudar para ser um chamado Pastor.

Durante a apresentação da oratória “O Messias”, de Haendel, em Londres, Newton pregou uma série de sermões sobre os temas do libreto da oratória (Nascimento, Paixão, Ressurreição, Julgamento Final, Glorificação de Cristo). Em resultado de um destes sermões, o jovem William Willberforce, membro da “Câmara dos Comuns” desde os vinte e um anos, recém convertido, procuraria o seu conselho pastoral junto de Newton. Em 1786, Wilberforce começou a levantar-se cedo para ler as Escrituras, orar e escrever o seu diário. Neste mesmo ano Wilberforce entenderia que a sua missão de vida passaria a ser a luta pela supressão da escravatura e a reforma moral da sociedade. O ex-traficante Newton, agora pastor e determinado a combater a escravatura, tornar-se-ia uma grande inspiração para a gigantesca luta de Wilberforce.

Os argumentos para o comércio de escravos eram de natureza econômica e política, pelo que os abolicionistas tinham contra si grandes poderes e interesses. William Wilberforce travou uma luta titânica, nomeadamente na “Câmara dos Comuns”. Apresentou várias propostas de lei, bloqueadas vez após vez. Wilberforce expressou assim o seu compromisso: “A perversidade do comércio [de escravos] era tão gigantesca, tão medonha e tão irremediável que a minha mente estava completamente preparada para a abolição. Fossem quais fossem as consequências. Desde então determinei que nunca descansaria até que tivesse conseguido a sua abolição” (citado em “131 Christians Everyone Should Know”).

Wilberforce desempenhou um papel fundamental na criação da “British and Foreign Bible Society” (Sociedade Bíblica), em 1804, e da “Church Missionary Society”, em 1799. O seu livro “A Practical View…”, publicado em 1797, uma crítica contundente ao Cristianismo acomodado, foi um bestseller. Ele tinha o dom de entender e afirmar a fé cristã permeando todos os domínios da vida. Nas palavras do biógrafo Robin Furneaux, “a sua mensagem era a de que não bastava professar o Cristianismo, levar uma vida decente e ir à Igreja aos Domingos, mas que o Cristianismo atravessa cada aspecto, cada canto da vida cristã. A sua abordagem do Cristianismo era essencialmente prática“.

Finalmente, o ultrajante comércio de escravos foi oficialmente abolido em 1807 embora a completa abolição tivesse ocorrido apenas em 1833, ano da morte de Wilberforce. O seu sonho realizar-se-ia. A história não terá muitas pessoas que tenham contribuído tanto para o bem da sociedade como William Wilberforce, a consciência da nação, nas palavras de Winston Churchill. Como escreveu em “A Practical View…”, “os interesses do cristão nominal concentram-se nas coisas temporais, os interesses do cristão autêntico concentram-se em coisas eternas”.

Amazing Grace é pois um hino que tem cruzado os séculos e cuja história se encontrou com a da luta pela abolição da escravatura. Irá, também, a história de Wilberforce despertar-nos para as formas contemporâneas de escravatura?

Nos últimos 43 anos de sua vida Newton pregou o evangelho em Olney e em Londres. Em 1782, ele disse: “Minha memória já quase se foi, mas eu recordo duas coisas: Eu sou um grande pecador, Cristo é o meu grande salvador”. No túmulo de Newton lê-se: “John Newton, uma vez um infiel e um libertino, um mercador de escravos na África, foi, pela misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, perdoado e inspirado a pregar a mesma fé que ele tinha se esforçado muito por destruir”. O seu mais famoso testemunho continua vivo, no mais famoso das centenas de hinos que escreveu:

 

Sublime graça

Sublime graça que alcançou
Um pobre como eu,
Que a mim, perdido e cego achou,
Salvou e a vista deu!

De vãos temores e aflição
A graça me livrou
E doce alívio ao coração
Em Cristo me outorgou.

Se lutas vêm, perigos há,
Se é longo o caminhar,
A graça a mim conduzirá
Seguro ao santo lar.

A Deus, então, adorarei
Ali, no céu de luz,
E para sempre cantarei
Da graça de Jesus.

No hinário Hinos e Cânticos Nº14

 

http://www.verdade-viva.net/john-newton/

Deve um Cristão escutar música secular?

Resposta: A pergunta de se um Cristão deve ou não escutar música secular é uma que muitas pessoas fazem. Há vários músicos seculares que são imensamente talentosos. Música secular pode ser bastante divertida. Há muitas músicas seculares que têm melodias atrativas, conselhos bons e mensagens positivas. Ao determinar se um Cristão deve ou não escutar música secular, há três fatores que devemos considerar: (1) o propósito da música, (2) o estilo de música e (3) o contéudo da letra.

(1) O propósito da música. É música apenas para louvor, ou será que Deus criou a música para relaxar e entreter? O músico mais famoso da Bíblia, o Rei Davi, tinha como propósito principal usar a música para adorar a Deus (veja Salmo 4:1; 6:1; 54:1; 55:1; 61:1; 67:1; 76:1). No entanto, quando o Rei Saul estava sendo tormentado por espíritos perversos, ele chamava Davi para tocar a harpa para acalmá-lo (1 Samuel 16:14-23). Os israelitas também usaram instrumentos musicais para advertir contra o perigo (Neemias 4:20) e para surpreender os inimigos (Juízes 7:16-22). No Novo Testamento, o Apóstolo Paulo instrui os Cristãos a encorajarem uns aos outros com música: “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais” (Efésios 5:19). Então, enquanto o propósito principal da música aparenta ser louvor, a Bíblia com certeza dá espaço para usá-la com outros propósitos.

(2) O estilo de música. Triste dizer que o estilo de música é um assunto que causa divisões entre os Cristãos. Há cristãos que inflexivelmente exigem que instrumentos musicais não sejam usados. Há outros Cristãos que só querem saber de cantar os hinos da antiguidade. Há Cristãos que querem música mais agitada e contemporária. Há Cristãos que afirmam que conseguem adorar a Deus mais em um ambiente parecido com um concerto de rock. Ao invés de reconhecer suas preferências como sendo pessoais e distinções culturais, alguns Cristãos declaram que seu estilo de música é o único “bíblico”, afirmando com isso que todos os outros estilos não agradam a Deus e são satânicos.

A Bíblia em nenhum lugar condena qualquer estilo de música. A Bíblia em nenhum lugar condena qualquer tipo de instrumento. A Bíblia menciona vários tipos de instrumentos musicais de corda e de sopro. Apesar da Bíblia não mencionar o tambor especificamente, ela menciona outros instrumentos de percussão (Salmo 68:25; Esdras 3:10). Quase todas as formas de música moderna são variações e /ou combinações dos mesmos tipos de instrumentos musicais, tocados em velocidades diferentes ou com ênfase elevada. Não há nenhuma base bíblica para declarar um estilo particular de música como sendo um estilo que desagrada a Deus ou que seja fora da vontade de Deus.

(3) O conteúdo da letra. Já que nem o propósito ou estilo de música é o que determina se um Cristão deve ou não escutar música secular, o conteúdo da letra deve ser levado em consideração. Mesmo que não falando especificamente de música, Filipenses 4:8 é um excelente guia quanto ao que devemos procurar na letra das músicas que escutamos: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”. Se essas são as coisas que devem ocupar nossa mente, então com certeza essas devem ser as coisas que devemos convidar às nossas mentes através de música e de sua letra. Pode a letra de uma música completamente secular ser verdadeira, respeitável, justa, pura, amável, de boa fama e de louvor? Se a resposta é sim, então não há nada de errado em escutar música secular dessa natureza.

Ao mesmo tempo, é bem claro que muito da música secular de hoje não segue o padrão de Filipenses 4:8. Música secular geralmente promove imoralidade, violência; enquanto ao mesmo tempo menospreza pureza e integridade. Se uma música promove tudo aquilo a que Deus se opõe, um Cristão deve evitar escutar esse tipo de música. No entanto, há muitas músicas seculares que não mencionam Deus, mas ainda promovem bons valores, tais como: honestidade, pureza e integridade. Se uma canção de amor promove a santidade do casamento e/ pureza de amor verdadeiro – mas não menciona a Deus ou a Bíblia – então não tem problema em escutar a tal canção.

Já é um fato provado que qualquer coisa que alguém deixe ocupar sua mente vai mais cedo ou mais tarde determinar sua linguagem e comportamento. Esse é o princípio por trás de Filipenses 4:8 e Colossenses 3:2-5: estabelecer pensamentos que agradam a Deus. 2 Coríntios 10:5 diz que devemos levar “cativo todo pensamento à obediência de Cristo”. Essas passagens deixam bem claro a que tipo de música não devemos escutar.

É claro que o melhor tipo de música que devemos escutar é aquela que adora e glorifica a Deus. Há vários músicos Cristãos talentosos em quase todo tipo de música, de clássica, ao rock, ao rap, ao reggae. Não há nada de errado com qualquer estilo de música. É a letra que determina se uma canção é aceitável ou não. No entanto, se um estilo de música secular, seja o ritmo ou a letra, causa você a considerar a se envolver em algo que não glorifique a Deus, então deve ser evitado.

 

Got Questions Ministries

http://www.gotquestions.org/portugues/musica-secular.html

Diretrizes para o Canto Congregacional

Escrito por: John Wesley
Para que esta parte do culto seja mais aceitável a Deus e de maior proveito para você e aos demais, tenha o cuidado de observar as seguintes instruções:

1. Cantem todos.

Procure reunir com a congregação tão frequente quanto seja possível. Não permita que um pouco de fraqueza, ou cansaço o impeça. Se tal coisa é uma cruz para você, tome-a e, descobrirá que é uma benção.

2. Cantem com força e vigor.

Não cante como se estivesse meio morto, ou meio sonolento. Levante a sua voz com força. Não tenha temor de ouvir a sua voz, nem se envergonhe de ser ouvido agora, do que quando cantava os cantos de Satanás.

3. Cantem com modéstia.

Não grite como se quisesse sobressair ou destacar aos demais na congregação, para que não destrua a harmonia. Procurem unir as suas vozes aos de todos os demais da congregação para produzir um som claro e melodioso.

4. Cantem compassadamente no tempo.

Qualquer que seja o tempo em que se cante, procure guardá-lo, não se adiante, nem se atrase; siga as vozes que guiam e, observe o seu tempo, tanto quanto seja possível. Não cante arrastado. O arrastar o tempo é coisa natural nos vagarosos e, é já tempo de que esse costume desapareça dentre nós, e que cantemos todos os nossos hinos de tal modo como os cantávamos no princípio.

5. Sobretudo, cantem espiritualmente.

Pense em Deus em cada palavra enquanto canta. Que a sua intenção seja agradá-Lo, antes que a você mesmo, ou, a qualquer outra criatura. Para conseguir isto, ponha muita atenção no sentido do que canta e, tenha o cuidado de que seu coração não se envolva demasiadamente com a melodia, mas, ofereça-o a Deus continuamente, para que o seu canto seja de tal maneira, que o Senhor possa aprová-lo aqui e, possa receber a sua recompensa quando Ele vier em Sua glória nas nuvens.

 

 

Fonte: Extraído de Juan Wesley, Obras Completas, Edição Espanhol, vol. 9, págs. 229-230.

Tradução livre: Rev. Ewerton B. Tokashiki

Jesus, pastor de pessoas e não de consumidores

A compreensão do pastoreio de Jesus pode ser libertadora nos dias de hoje, quando tantas pessoas, equivocadamente, são transformadas em consumidores pelo mercado da fé. Jesus amou e morreu por pessoas. Jesus ressuscitou por pessoas. Ele deu sua vida em resgate de homens e mulheres que estavam perdidos em seus próprios delitos e pecados. Compadeceu-se de homens e mulheres que estavam condenados à morte por suas transgressões. Cristo amou e se entregou em sacrifício na cruz por causa da rebeldia e da desistência humana de andar, comungar e obedecer ao Criador. O Filho de Deus doou a vida eterna a pessoas que o receberam como Senhor e Salvador. No mistério e profundidade de sua graça, ele nos olhou como pessoas e ovelhas, dando-nos vida – e vida em abundância.

Como pastor, Jesus deu e dá sua vida pelas ovelhas e por seu rebanho. Somos, como igreja, comunidade e ajuntamento de pessoas que estavam prisioneiras em seus próprios medos, incertezas e angústias. Éramos cativos de mente e coração. O desespero e a incerteza diante da morte e da fragilidade da experiência humana nos atormentavam. Assim, pessoas comuns – com suas histórias, marcas, heranças e contextos –, através de seu Espírito, têm escrito uma nova história onde fé, convicção, certeza e esperança se instalaram.

Tal compreensão pode ser libertadora nos dias de hoje, quando tantas pessoas, equivocadamente, são transformadas em consumidores pelo mercado da fé. De forma sutil e sorrateira por um lado, e agressiva por outro, essa dinâmica tomou conta da mentalidade evangélica no Brasil e no mundo. Devotos se transformaram apenas em consumidores e mantenedores desse mercado, travestido até na forma de igrejas locais coorporativas e estruturas empresariais. A lógica e o discurso são os mesmos do mercado: cantamos sobre a marca Jesus, escrevemos sobre ela, lançamos produtos temáticos. Já há até estudos de marketing acerca de características de gênero, classe social, faixa etária e necessidades de determinados grupos sendo usados para a criação de igrejas.

Grandes conglomerados comerciais de literatura e música chamadas de cristãs estão sendo engolidos com voracidade por empreendedores que, até bem pouco tempo, nem se importavam com a existência do tal segmento evangélico. Só que o Jesus de muitos pregadores, cantores, corporações e empresários não é necessariamente aquele apresentado na Bíblia, o Jesus eterno e histórico, o Emanuel, o Deus que se fez homem; aquele que veio como escravo e servo para proporcionar ao caído salvação através da cruz, para anunciar o Reino de Deus e trazer graça, senhorio e juízo. Esse Jesus midiatizado não é o Jesus que trouxe ensino e valores de amor, compaixão, paz e justiça, e que nos deixou a missão de lhe fazer discípulos e seguidores.

O pastor Jesus, pastor de ovelhas, de gente, trata a cada um com pessoalidade, dignidade e importância. Ele nos ama como pessoas, ouve nossos relatos, está atento à nossa realidade e história. O pastor Jesus alimenta o faminto, sacia o sedento, limpa o imundo, cura os feridos, protege e conduz ovelhas. Jesus nos ajuda a dar significado ao pastoreio e a contextualizar esta vocação do acolhimento, do cuidado, do ensino e da formação espiritual. Os pastores não precisam perder o caminho da fé, assim como qualquer cristão em outra área profissional ou de atuação – uma fé que ganha contornos práticos de uma vida de serviço e de trabalho digno, mediante o suor do rosto. Fé no Deus trino, e não no mercado que fala sobre ele.

Muitos dirão que comércio pode ser feito com ética e honestidade, visando a legítimos propósitos. É verdade. Mas a chance de o mercado tirar do centro a essência e o alvo do Evangelho, de sua mensagem e obra, são muito grandes. Pastores, escritores e artistas cristãos produzem em escala industrial coisas que se tornarão, invariavelmente, produtos de consumo: mensagens, livros, CDs, ensinos, palestras, DVDs… Tudo tem seu preço, e tudo acaba alimentando esse mercado da fé. Numa linha muito tênue, o negócio se torna a pessoa, o pregador, o cantor, o escritor, sua corporação, sua visão, sua estrutura criada. Assim, o que fazem torna-se um fim em si mesmo, e não um meio para atingir algo mais elevado.

No genuíno pastoreio, contudo, precisamos ser cuidadosos e íntegros. Não se pode perder de vista que cuidamos de pessoas, e não de consumidores. O mercado não é o nosso negócio, muito menos o propósito do chamado e vocação pastoral. Somos cuidadores e referenciais de Jesus para o rebanho de Deus, ajudando ovelhas a permanecerem no Caminho.

Nelson Bomilcar

http://cristianismohoje.com.br/materia.php?k=858

Alvo mais que a neve

Samuel Horatio Hodges (+ 1922) foi um advogado nos E.U.A. e escreveu este hino enquanto viajava na Inglaterra com William Booth, o fundador do Exército de Salvação. Nas campanhas evangelísticas do Fundador, Samuel cantava solos. Um convicto crente na doutrina da santidade, frequentemente conversava com Booth e sua esposa Catherine a respeito das lutas, angústias e desafios pelos quais passavam os convertidos e os soldados salvacionistas diante do assunto “um coração puro”.

Mais tarde, o filho do capitão Samuel, ele próprio um oficial salvacionista nos E.U.A., contou que era comum o Fundador, seu filho Bramwel Booth, George Railton e seu pai almoçarem juntos. Em uma dessas ocasiões, antes de uma reunião em que o Fundador pregaria a respeito de santidade, ele voltou-se para o seu pai Samuel e pediu-lhe que para a próxima reunião cantasse um solo que tivesse o tema de como possuir um coração puro. Quando a resposta foi negativa, pois não conhecia nenhum hino que se adaptasse, o Fundador pediu-lhe que escrevesse um. Como Samuel era um homem de oração, pediu a Deus que lhe desse inspiração para escrever o que lhe fora pedido. E assim nasceu o hino “Alvo mais que a neve”. Samuel mais tarde em sua vida tornou-se um ministro quacre.
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Fonte: Companion to the Song Book
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Nota – O autor do coro do hino foi Eden Reeder Latta, baseado supostamente na música “Blessed be the fountain of blood”. Não propriamente uma tradução, a versão em português é dos “Salmos e Hinos”, de Henry Maxwell Wright (+ 1931). 

Grupo Semente

Um Ministério coerente na música e louvor do Brasil

No trabalho conjunto de vários irmãos que Deus levantou, no desejo de passar uma ” visão” recebida e amadurecida em vários ministérios locais, principalmente no trabalho com jovens ( VPC, ABU e algumas igrejas locais), nasceu o GRUPO SEMENTE em 1982.

Várias pessoas que já ministravam pelo Brasil há vários anos, compartilhavam da necessidade de se fazer algo que tivesse conteúdo da Palavra de Deus, sensibilidade com a nossa cultura e que desafiasse a igreja brasileira ao louvor e à evangelização com correta intenção de agradar a Deus em primeiro lugar com criatividade e beleza.

Guilherme Kerr Neto, parceiro desta visão, escreveu no primeiro disco do Grupo Semente que via com alegria o surgimento deste trabalho no meio de uma escassez de muitos anos, um verdadeiro deserto na área de louvor e produções musicais, com gente compromisssada com Jesus e séria no trabalho pelo Reino de Deus. Quis o Senhor colocar Sérgio Pimenta, Nelson Bomilcar, Gerson Ortega, Jorge Camargo, Edy Chagas, Marcos Mônaco, Miriam Zancul Ortega, Carla Bomilcar , Sônia Dimitrov Pimenta e Hélio Campos juntos por 7 anos de ministério, onde a amizade, compromisso mútuo, companheirismo e uma boa dose de musicalidade, movidos pelo Espírito Santo, trouxeram inestimável contribuição à Igreja brasileira, muito antes do recente “boom gospel”, que carece de consistência bíblica e de qualidade musical.

Caio Fabio pregou no lançamento do primeiro disco “Plantando a Semente”, música tema composta por Nelson Bomilcar e Guilherme Kerr. Ele realçou a seriedade do Salmo 126, ao mostrar a a realidade de um ministério sério muitas vezes sofrido, mas que traz pela promessa de Deus, muita alegria no devido tempo de colheita.

E essa foi a história do ministério do Grupo Semente enquanto existiu. Seu trabalho começou junto a COMEV (Comunicações Evangélicas) e depois continuou junto à Vencedores Por Cristo.

Musicalmente, foram ousados gravando músicas instrumentais, indo do samba ao chorinho, sem desprezar a mensagem do evangelho. Seu primeiro disco , ” Plantando a Semente”, contou com a participação do maestro Williams Costa Jr nos arranjos de cordas, um desafio para a época , Gerson Ortega, trabalhou com carinho nos arranjos de base além de tocar o piano e os teclados com a competência e criatividade de sempre. Sérgio Pimenta trouxe a disciplina do trabalho nos ensaios , nas viagens missionárias, e nas lindas canções que fêz durante a sua vida, com uma poesia e profundidade como pouco se viu e se vê no meio evangélico. Jorge Camargo, o mais novo da turma, enriquecia a todos com suas interpretações e voz privilegiada, principalmente nos discos “Fruto da Semente” e ” Criação “, além de suas composições.

Hélio Campos e Marcos Mônaco se encaixavam perfeitamente ao grupo, na bateria e sopros respectivamente, trazendo consistência ritmica e musical, além da simplicidade que os caracterizavam. Nelson Bomilcar ( coordenando e liderando) procurava diretrizar o trabalho para que a visão fosse fortalecida e não abandonada, com as pequenas ilusões de um sucesso e aceitação efêmera por parte da igreja evangélica, que já foi armadilha em que muitos caíram na sua caminhada cristã. Enfim, é a Deus a quem se deve servir e agradar, e é a Sua Glória o que importa. Ainda na gravação do primeiro disco tivemos a participação como convidada a Valéria Vassão Forte. Queremos registrar a curta participação do Artur Mendes e Marcos Cavalcante .

Carla, Míriam, Sônia, traziam o equilíbrio nas harmonizações vocais, tanto nas gravações, como nas apresentações, com sensibilidade e discernimento espiritual .Em inúmeros lugares por onde trabalharam; a Kátia Mônaco também ajudava no trabalho de aconselhamento nas programações. O Edy Chagas( de Bauru como era conhecido ) , era o criador das artes dos discos, que além de ter uma linda voz, trazia a solidez de uma igreja local que o apoiava em oração, ( Comunidade das Nações ), abençoando este ministério.Edy(Bauru),Hélio ( Jundiaí) e Pimenta ( Rio ) viajaram muitos e muitos quilômetros, 2 vezes por mês, para que o grupo tivesse a oportunidade de consolidar seu ministério e trabalho musical.

Muitos Grupos no Brasil começaram seus ministérios procurando o referencial no trabalho do Grupo Semente e Vencedores Por Cristo, pois a maioria dos seus integrantes foram treinados e discipulados por pessoas ligadas a VPC.
O legado musical procurou ser preservado nos relançamentos em Cds Platando e Fruto da Semente e Criação e do registro em Partitura das linhas melódicas e cifras.

As lembranças e experiências tremendas com Deus são enormes:

Os ensaios na casa do Marcos Mônaco , o Furgão emprestado, companheiro de transportes e viagens; Gerson gravando a música ” Ele e o Teu Louvor”, em um dos primeiros estúdios da COMEV ( 24 de Maio ), quebrantado e cheio do Espírito Santo, sofrendo com a enfermidade de seu primeiro filho, dedicando o que tocava a Jesus; Ségio Pimenta colocando “ordem na Casa” com toda a sua formação militar e mostrando os seus “cânticos” ou ( “corinhos “nas palavras que usava) que explodiam em todas partes do Brasil.

Cada lançamento de disco foi tremendamente concorrido ( Novotel, Centro de Professorado Paulista, Sala Cidade de São Paulo), e Deus sempre trazendo palavra e testemunho que mudaram muitas vidas. Nossa ultima apresentação foi no lançamento do “Criação”, onde Deus já estava mostrando que estava terminando este ministério juntos.

Gerson sendo chamado para trabalhar com uma igreja local em São Paulo como pastor, Hélio indo para Porto Alegre com sua esposa Malu para trabalharem junto com Asaph, Edy seguindo o ministério pastoral com a Comunidade das Nações em Bauru, Nelson pastoreando em Campinas, Jorge Camargo com novos desafios profissionais e musicais, Marcos Mônaco fortalecendo seu trabalho com uma igreja local em São Paulo. E o nosso querido Sérgio Pimenta, descobrindo que estava com câncer e falecendo depois de 4 meses, após muito sofrimento, deixando a Sônia, o Renato e a Juliana e um vazio tremendo em todos e na música evangélica brasileira.

Foi como se fosse um sêlo para todos os integrantes do Grupo Semente. Terminava ali 7 anos de intenso ministério pelo Brasil, marcando a todos e levando os próprios integrantes do grupo a um total dedicação na obra do Senhor juntamente com suas famílias.

O Grupo Semente uniu criatividade musical com visão séria de ministério, espírito de Louvor com performance; adaptou o conteúdo bíblico com a poesia numa preocupação de contextualização para nosso mundo contemporâneo. Seu trabalho mostrou o quanto é importante a comunhão com Deus e entre os irmãos, onde se pode criar amizades maduras e duradouras.

Que o Senhor seja engradecido para sempre!

 

http://www.nelsonbomilcar.com.br/artigos/grupo-semente

10 Dicas para um bom ensaio vocal

Autor: Mirella de Barros Antunes

O ensaio deve fazer parte da rotina de todo ministério de música. Algumas pessoas tem uma visao fantasiosa a respeito dos músicos de sucesso supervalorizando a questão da INSPIRAÇÃO. Mas qualquer músico que se esforça para oferecer o melhor em seu ministério sabe que inspiração é importante, mas TRANSPIRAÇÃO é fundamental.

O ensaio é a hora da transpiração, de dedicar tempo e atenção para que a música na casa de Deus seja feita com qualidade. Já ouvi muitos comentários do tipo: “Nós ensaiamos tanto mas nada dá certo!” Talvez o ensaio nao esteja sendo feito de forma eficaz e foi pensando nisto que resolvi indicar alguns caminhos para que voce chegue no ponto que deseja. Vamos juntos!

1. REGULARIDADE
Procure fazer ensaios constantes, no mínimo uma vez por semana, isto é importante para integração musical e comunhao do grupo.

2.TEMPO
Uma duraçao ideal para um bom ensaio deve ser em torno de duas horas. É difícil conseguir resultados reais em menos tempo, se voce quiser fazer um ensaio mais longo de um pequeno intervalo para água e descanso, precisamos lembrar que a voz é um instrumento delicado.

3.PRESENÇA
A presença no ensaio deve se tornar obrigatória, nao é justo que o grupo todo ensaie e no momento da ministraçao seja prejudicado por um “penetra” nao é ?

4.ESTRUTURA
É importante ter um local específico para ensaio, um lugar quieto onde o grupo possa ter um pouco de privacidade. O ensaio vocal deve ser sempre acompanhado por um instrumento harmônico ( teclado, piano, violao, guitarra) que garanta a afinaçao do grupo.

5. ORAÇAO
É verdade que ensaio é ensaio, nao é hora de estudo bíblico e nem de oraçoes sem fim, mas é importante orar no início do ensaio. Quando estamos trabalhando na obra muitas lutas se levantam precisamos lembrar que nao é contra carne nem sangue que devemos guerrear. Efésios 6:10-18.

6.AQUECIMENTO
Pense na voz como parte de seu organismo. Quando voce abre os olhos de manha, logo pula da cama e sai correndo pelo quarteirao para se exercitar ??? Claro que nao! Da mesma forma a voz precisa se espreguiçar, precisa acordar, precisa aquecer. Exercícios de relaxamento, de respiraçao e alguns vocalizes tem esta funçao na técnica vocal. O grupo, ou alguém do grupo, precisa investir em uma boa aula de técnica vocal.

7.MATERIAL VISUAL
Todo material escrito ajuda na memorizaçao. Se souber escreva os arranjos, se nao souber, registre ao menos a letra e acordes do cântico e distribua cópias. Peça que as pessoas anotem o que está sendo combinado: onde abrir voz, variaçoes de dinâmica, repetiçoes, etc.

8.MATERIAL AUDITIVO
Se voce vai ensaiar músicas já registradas em Cd, leve a gravaçao para que todos ouçam o arranjo original. O desenvolvimento da percepçao musical é imprescindível para o bom cantor.

9. ORGANIZAÇAO
O ensaio precisa ter direcionamento, é bom que o repertório e o roteiro do ensaio estejam pré-definidos. A equipe deve ser agrupada com alguma lógica: homens e mulheres, por naipes (sopranos, contralto, tenor, baixo), ou da maneira que voce achar melhor, mas faça desta divisao algo automático na cabeça do grupo.

10.PERSEVERANÇA
Tenha paciencia e nao desista. Medite em II Pedro 1: 5-8. O ensaio é uma semeadura, nem sempre colhemos os frutos instantaneamente, mas o nosso trabalho nao é vao no Senhor!!!